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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mestrado do SENAI CIMATEC sobe de nível no conceito CAPES

 
A avaliação trienal 2013 stricto sensu divulgada ontem (10/12) pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)  concedeu a nota 4 ao Mestrado Profissional em Gestão e Tecnologia Industrial - PPG GETEC do SENAI CIMATEC. O SENAI-BA ainda oferece o Mestrado Acadêmico e Doutorado em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial - PPG MCTI, ambos já avaliados com o conceito Capes 4. As inscrições dos três programas citados já foram encerradas para início em 2014. 

Avaliação trienal

A avaliação trienal da Capes avaliou 5.082 cursos de mestrado e doutorado de todo o país. O processo considerou todas as informações prestadas pelos cursos durante os anos de 2010, 2011 e 2012.

A avaliação da pós-graduação stricto sensu é realizada pela Capes desde o ano de 1976. Ao longo de quase 40 anos, se consolidou como instrumento de grande importância para o Sistema Nacional de Pós-Graduação e para o fomento, tanto por parte das agências brasileiras, vários setores governamentais e não governamentais, bem como dos organismos internacionais.

Segundo a Capes, as instituições são avaliadas com base nos professores, alunos, teses e dissertações; produção intelectual. Além disso, os cursos são avaliados também pela inserção social e diferenciais de alta qualificação e desempenho de forte liderança nacional.

As notas vão de 1 a 7. Os cursos com notas 1 e 2 representam desempenho fraco ou abaixo do padrão e podem perder o credenciamento pela Capes. A nota 3 equivale ao padrão mínimo, a nota 4 representa bom desempenho, já a pontuação 5 revela alto nível de desempenho e é considerada maior nota para cursos só com mestrados. Por sua vez as notas 6 e 7 são para desempenho equivalente aos centros de ensino e pesquisa internacionais.

Fonte: Portal Brasil

http://www.senai.fieb.org.br/

quarta-feira, 27 de novembro de 2013


Representantes da UNEB e da Universidade de Pisa se reuniram no último dia 25, no Auditório Jurandyr Oliveira do Departamento de Educação (DEDC) do Campus I da instituição, em Salvador, para dialogar sobre as possibilidades de intercâmbio entre as duas instituições.
 
A instituição italiana foi representada por Laura Nelli e por Fabiana Ubinha. “Nosso projeto está em execução desde 2012. Já firmamos nove convênios de intercâmbio. A nossa expectativa é que outros oito sejam fechados”, contou Fabiana durante a palestra que apresentou o projeto Brasil Itália, coordenado por ela.

Formas de intercâmbio

As representantes da universidade pisana destacaram as propostas e os meios de acesso do estudante interessado em participar do intercâmbio e apresentaram um panorama da instituição europeia e o sistema educacional italiano.

“Nossa instituição atualmente é composta por 20 departamentos, 54 mil estudantes e 2.890 professores e pesquisadores, além de oito programas de inglês e 29 programas de doutorados” detalhou Fabiana.
O encontro, mediado pelo assessor Especial para Cooperação Internacional (Asseci), Gianni Boscolo, e pelo assessor adjunto, Fernando Maltez, esclareceu as possibilidades de intercâmbio com a universidade.

“O aluno tem que sonhar alto, tem que aproveitar o momento, pois não se sabe quando poderá ter uma nova oportunidade”, frisou Gianni.

Participaram da atividade discentes de graduação, pós-graduação, além de professores e técnicos administrativos da UNEB.

Gisele Correia, estudante do curso de Pedagogia, destacou que busca encontrar novas possibilidades de fazer um mestrado fora do país, e se interessou pelo encontro para ter mais conhecimentos sobre a iniciativa.

Acordo Quadro

Após a palestra as representantes da universidade italiana se reuniram com representantes da UNEB na Reitoria da instituição para a entrega do Acordo Quadro, que prevê a criação de um convênio de cooperação internacional entre as duas instituições.

A vice-reitora da UNEB, Adriana Marmori, representou o reitor da universidade Lourisvaldo Valentim na reunião.

“Será um imenso prazer firmar um acordo com a Universidade de Pisa, além de ser uma oportunidade de ampliar e intensificar o processo de internacionalização da UNEB”, ressaltou a vice-reitora.

http://www.uneb.br/2013/11/27/uneb-e-universidade-de-pisa-dialogam-sobre-assinatura-de-convenio/

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Google lança canal no Youtube com 8 mil aulas em vídeo

Canal reúne 8.000 vídeos com conteúdos de disciplinas do ensino médio (Foto: Reprodução)

Conteúdos são destinados a alunos do ensino médio.

Para entrar na plataforma vídeos passaram por análise de professores. 

O Google e a Fundação Lemann lançaram nesta quinta-feira (21) o Youtube Edu, uma plataforma que reúne conteúdos gratuitos para estudantes, professores e escolas de todo o país. São 8 mil aulas de professores em vídeos de 26 canais.

Nesta primeira etapa há vídeos que abordam conteúdos de ensino médio nas disciplinas de matemática, língua portuguesa, biologia, física e química. Todos os vídeos e canais que fazem parte do Youtube Edu passaram por um processo rigoroso de curadoria para garantir a precisão das informações que são ensinadas em cada um deles. A análise foi feita por uma equipe de 16 professores, coordenada pela Fundação Lemann.

Previsão é de que a partir de 2014, a plataforma reúna vídeos de outras disciplinas e destinados a estudantes dos demais níveis de ensino, como fundamental e superior.

Apenas nos Estados Unidos existe uma área exclusiva para educação como a que foi lançada nesta quinta no Brasil. Com a nova plataforma, Google e Fundação Lemann querem estimular mais  professores brasileiros a produzir conteúdo educacional de qualidade e usar o alcance e o cárater democrático da internet para levar boas aulas a estudantes de todas as idades, lugares e classes sociais.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Universidade Multinacional

  
Congresso da Rede Ilumno discute futuro da EAD no mundo.

Chegou a hora da Universidade mudar

Buenos Aires, Argentina. 18 de novembro de 2013. 

Uma “universidade multinacional”, aberta, “descentralizada, acessível e flexível. Desta maneira, o reitor acadêmico da Rede ilumno, Óscar Aguer, definiu as características da nova geração das universidades no mundo: “é um passo necessário para a educação, que não mudou significativamente durante vários séculos”. Este anúncio foi feito durante o primeiro dia do Congresso da Rede Ilumno, que se realiza em Buenos Aires, na Argentina, onde se reúnem os diretores dos centros de aprendizagem de Educação a Distância da Rede Ilumno de países como Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e Paraguai.

Segundo Aguer, estamos testemunhando o surgimento de uma educação que deixa de ser local e se torna internacional, onde o aluno se apropria de seus próprios interesses, mudando a forma de interação com outros alunos e seus professores. A tecnologia parece ser a chave para este desenvolvimento, pois é através de plataformas educacionais que uma educação universitária pode ser oferecida a preços que não ultrapassam a terceira ou quarta parte do valor da educação presencial,  através de "economias de escala" que tornam isto possível.

Para Fernando Davila, reitor do Politécnico Grancolombiano, há pelo menos dois grandes desafios a serem superados para dar o grande salto para a virtualidade: a mudança necessária de “chips” de setores da comunidade educativa, onde o pensamento tradicional ainda existe, e a implementação da tecnologia, que deve estar sempre à mão do estudante, com disponibilidade suficiente para que ele permaneça conectado às suas necessidades e possa desenvolver-se de acordo com suas próprias exigências.

As universidades pertencentes à Rede Ilumno demonstram que a Educação a Distância na América Latina não é marginal, visto que cerca de 100 mil alunos estudam por meio dessa tecnologia. Só na Argentina, a universidade Siglo 21 se aproxima da segunda centena de centros de aprendizagem de Educação a Distância em diferentes províncias do país. Na Colômbia, o Politécnico Grancolombiano gira em torno de uma centena em todo o seu território. Em outros países como Brasil, Costa Rica, Panamá e Paraguai, universidades como a Veiga de Almeida, Unijorge, San Marcos, Itsmo ou a Americana estão ampliando sua cobertura com programas virtuais com selo de qualidade acadêmica validada pelos Ministérios da Educação de seus próprios países.

Para Juan Carlos Mena, presidente do Conselho de Universidades Privadas da Argentina, "a iniciativa privada e as novas tecnologias são o par perfeito para a expansão do ensino superior no continente". Esta é uma realidade já evidente nos diferentes países e tem transformado uma das mais tradicionais instituições sociais, como a Educação, numa nova geração que se estenderá pela América Latina, em palavras de Juan Carlos Rabbat, como "mancha de óleo" nos próximos anos e de maneira visível.

http://www.unijorge.edu.br/noticia_exibir.asp?cod=1218

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Capes admite mestrado e doutorado em EAD



 
A difusão de cursos de mestrado e doutorado, ou pós-graduação stricto sensu, ministrados por meio de educação a distância, começa a ser estimulada pelo Ministério da Educação. 

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) já recebe propostas das universidades interessadas em oferecer cursos dessa espécie. 

Dirigentes do Ministério garantem que o mesmo procedimento utilizado para a aprovação dos mestrados e doutorados presenciais se repetirá para os programas de EAD. E não há restrições em relação à constituição da universidade, "independe se ela é pública, privada, comunitária ou confessional", garantem as autoridades. A principal exigência tem a ver com a qualidade das propostas apresentadas, para que os cursos tenham valor semelhante aos presenciais.

O primeiro e único curso de pós-graduação stricto sensu a distância no Brasil foi recomendado pela Capes em 1995. A licença temporária concedida à UFC (Universidade Federal do Ceará) em consórcio com a Unopar (Universidade Norte do Paraná) foi liberada para o desenvolvimento do Mestrado Profissionalizante em Tecnologia de Informação e Comunicação na Formação em EAD (Ensino a Distância).

O Ministério da Educação adota o procedimento de emitir autorizações precárias e, no decorrer do curso, são feitas avaliações destinadas a confirmar ou não a permanência da licença. No caso do mestrado oferecido pela Universidade Federal do Ceará, duas turmas completaram o curso, mas a instituição não recebeu a autorização da Capes para que uma terceira classe fosse formada. 

De acordo com o diretor de regulação e supervisão em EAD do MEC, Hélio Chaves Filho, a existência de mestrado e doutorado a distância no Brasil sempre esteve assegurada pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). O artigo 80 da lei prevê o desenvolvimento de programas de ensino a distância em todas as modalidades de ensino, o que inclui também a pós-graduação stricto sensu. "Mas a legislação determina que qualquer proposta seja aprovada pela Capes antes de ser colocada em prática", explica ele.

Essa lei, segundo Chaves Filho, ganhou mais força com a elaboração do decreto 5.622, de 19 de dezembro de 2005. "A partir dessa determinação, todas as instituições de ensino tiveram abertura legal para apresentar seu projeto de mestrado e doutorado a distância à Capes", enfatiza. "A Coordenação não pode recusar receber a proposta, mas ela tem todo o poder de não aprová-la, desde que a rejeição seja fundamentada", acrescenta o diretor. 



Quais são os cursos de pós-graduação stricto sensu a distância?   

Até o momento há apenas um curso no formato semi-presencial de mestrado recomendado pela Capes, o Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT). Acesse o site do programa: http://www.profmat-sbm.org.br/. Neste curso, os alunos recebem bolsas da Capes, conforme a Portaria nº 289 do Ministério da Educação.

O MEC pretende, com este incentivo, que as instituições de ensino superior apresentem à Capes propostas de novos cursos de mestrado profissional a distância voltados a professores da educação básica. A Capes é a responsável pela recomendação de todos os cursos de mestrado e doutorado no Brasil. Para funcionar e ter autorização do MEC, as propostas de cursos são apresentadas à Capes no período estabelecido pelo Calendário da Diretoria de Avaliação.

Após o recebimento das propostas de novos cursos, o Conselho Técnico-Científico da Educação Superior da Capes avalia todas as propostas e delibera quanto à recomendação ou não da criação do novo curso. São considerados nesta avaliação: proposta do programa; corpo docente; corpo discente, teses e dissertações; produção intelectual e inserção social.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Hora da virada na educação?

A diferença começa na escola.
 
Com 120 bilhões de reais a mais e 5 milhões de estudantes a menos, o Brasil terá, nos próximos dez anos, uma oportunidade histórica para tirar o atraso na educação básica — e garantir que nossa economia de fato decole

As meninas da foto ao lado moram e estudam no distrito de Aracatiaçu, em Sobral, no Ceará. Aracatiaçu fica a 60 quilômetros do centro de Sobral, que por sua vez está a 250 quilômetros de Fortaleza. É a zona rural de uma das cidades mais quentes do país. Pior: o sertão nordestino sofre com a maior seca dos últimos 50 anos. Na escola delas, o ventilador só espalha o calor. Quando a reportagem de EXAME visitou o local, fazia 40 graus. Mas essas crianças têm sorte de viver ali. Nos últimos 13 anos, Sobral vem se consolidando como um exemplo bem-sucedido de reforma educacional. O índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador do Ministério da Educação, é maior em Sobral do que em qualquer capital do Brasil nos anos iniciais do ensino fundamental. O mais surpreendente é que os efeitos dessa política educacional já são sentidos até no setor privado. A fabricante de calçados gaúcha Grendene chegou a Sobral em 1992, quando a atividade econômica local era quase toda agrícola. Na época, o único requisito para trabalhar na fábrica era não ser completamente analfabeto — e mesmo assim era difícil conseguir gente. 

Os programas de treinamento se dedicavam a ensinar os empregados a compreender textos e a fazer contas básicas. Nos últimos três anos, a Grendene tem intensificado a troca daquela mão de obra mais rudimentar por jovens — de Sobral mesmo. A empresa sente o efeito na forma de melhoria da produtividade. Em Sobral estão oito das 13 fábricas da Grendene e quatro de cada cinco trabalhadores que emprega. Hoje, com máquinas novas e gente que teve acesso a uma educação melhor, a Grendene produz 20 milhões de calçados por ano a mais do que em 2009 — com 9 000 funcionários a menos. "Diria que 70% de nosso ganho de produtividade se deve a uma seleção mais apurada da mão de obra", diz Francisco Schmitt, diretor de finanças da Grendene. "Em geral, o investimento em pessoas tem retorno maior do que em capital físico", diz o economista Samuel Pessoa, da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro.

Tudo começou com uma simples pesquisa. Em 2000, o prefeito Cid Gomes, atual governador do Ceará, encomendou um estudo sobre o padrão educacional da cidade. O levantamento mostrou que, no 4° ano do fundamental, quando os alunos costumam ter 9 anos, metade das crianças nem sequer conseguia juntar sílabas e ler palavras. A constatação deflagrou um plano de ação para corrigir o atraso. Diretores passaram a ser escolhidos por processos de seleção em vez de indicação política. O conteúdo das aulas começou a seguir um cronograma único e detalhado para todo o município. Os professores iniciaram uma capacitação mensal para aprender a ensinar. Avaliações viraram uma constante, mas não para punir quem não aprendia, e sim para verificar se os alunos progrediam — não há reprovação em Sobral. "Sem esse acompanhamento, muitos alunos seriam reprovados à toa", diz Claudia Barbosa Viana, professora de português da escola Francisco Aguiar, onde estudam as meninas que abrem a reportagem.

Hoje, a proporção das crianças que leem e compreendem textos é de 97% no 2e ano do ensino fundamental — aos 7 anos de idade. A psicóloga Izolda Cela foi a secretária de Educação de Sobral de 2001 a 2006. Em 2007, passou a ocupar o mesmo cargo no governo do Ceará e levou o Programa de Alfabetização na Idade Certa para todo o estado. De 2005 a 2011. o Ceará foi o estado que mais avançou no Ideb até o 5e ano do fundamental. "O mais importante da reforma foi avaliar escolas e alunos e cobrar um desempenho melhor", diz Martin Carnov, professor da Universidade Stanford que estuda a educação na América Latina. O programa cearense agora inspira um similar em esfera federal. Lançado neste ano, visa garantir que os alunos de toda a rede pública no país estejam alfabetizados até os 8 anos.

O papel do governo federal de um país continental como o Brasil é reconhecer as melhores práticas em educação e dar escala a elas. "O Brasil não faz isso bem", diz o alemão Andreas Schleicher, diretor-geral de educação na OCDE, organização dos países mais ricos que estuda o desenvolvimento econômico. Com mais dinheiro para a educação, o Brasil terá uma chance de dar um salto na qualidade. Os futuros royalties do pré-sal podem gerar incremento de 120 bilhões de reais no orçamento da educação até 2022, segundo projeção do Ministério da Educação. Ao mesmo tempo, a transformação da pirâmide demográfica aponta uma queda no número de pessoas com idade escolar — cerca de 5 milhões de alunos a menos no período. 

Nesse cenário, segundo cálculo do economista Jorge Arbache, professor da Universidade de Brasília e assessor especial da presidência do BNDES, se nos próximos dez anos a economia brasileira crescer apenas 2% ao ano, como tem acontecido no governo Dilma, o investimento por aluno aumentará 42%. Se a média de expansão do PIB for de 4% ao ano, o incremento por aluno será de 67%. Como aproveitar o dinheiro extra? "O Brasil tem de estabelecer os padrões de qualidade da educação que quer alcançar e ajustar o gasto conforme a demanda", diz Arbache. Na última década, os gastos com educação no Brasil saíram de 4,5% do PIB para 6%. O país praticamente universalizou o acesso ao ensino fundamental. Agora é preciso manter crianças e adolescentes na escola e garantir que aprendam. "O grande desafio do Brasil é elevar a qualidade da educação", diz Schleicher.

O que poderá fazer diferença, sobretudo, é uma boa gestão dos recursos. Como ilustra o exemplo do ganho de produtividade da Grendene, reformas educacionais bem-feitas e com continuidade geram resultados expressivos na economia em tempo mais curto do que se pensa. Na mesma década em que Sobral deu um salto, uma reforma ainda mais impressionante estava tomando forma a 8 500 quilômetros de distância: na Polônia. O país do Leste Europeu foi o único a não sofrer recessão de 2009 para cá na União Europeia. 

Isso tem a ver com as fábricas que se instalaram lá, vindas de outros países, menos produtivos. Só as empresas lideradas por italianos na Polônia são quase 750 — a Itália vive uma fuga de investimentos em decorrência da baixa produtividade e do sistema educacional que não melhora. A Fiat tem uma linha de montagem na cidade de Tychy, no sul da Polônia. Lá produz seu compacto Fiat 500. "A qualidade da educação se reflete na capacidade de um país de atrair investimento", diz Cledorvino Belini, presidente da Fiat no Brasil. "Há uma dificuldade maior para implementar medidas de aumento de eficiência quando não se tem uma mão de obra qualificada." A Fiat está há 35 anos em Betim, Minas Gerais, mas continua precisando treinar a mão de obra para coisas básicas, como conceitos elementares de matemática e língua portuguesa.

O sistema público na Polônia começou a ser reformado no fim da década de 90. Os alunos do fundamental ganharam um ano a mais de aulas na preparação para o ensino médio. "Essa medida é citada frequentemente como fator essencial para a melhoria do desempenho de nossos estudantes na década seguinte", diz Maciej Jakubowski, secretário executivo do Ministério da Educação da Polônia. O país também inovou ao criar quatro categorias de professor. Para pular de uma categoria para outra, o professor precisa incrementar a formação e se sair bem na sala de aula. Pura meritocracia. O resultado é que 92% do corpo docente em educação básica tem mestrado, e a carreira de professor é uma das mais concorridas da Polônia. De 2000 a 2009, o país ultrapassou Estados Unidos, França e Alemanha no ranking do Pisa, prova da OCDE que mede a qualidade do ensino para alunos com 15 anos em 65 países. De acordo com as notas, é como se um aluno médio de 15 anos no Brasil tivesse o mesmo conhecimento que um de 12 na Polônia — e que um de apenas 10 anos em Xangai, na China, que aparece no topo do ranking.

Na Polônia, o governo trocou de mãos desde o início da reforma educacional, mas os avanços foram mantidos. No Brasil, é comum as políticas públicas serem abandonadas de um governo para outro. Uma rara exceção é a política de expansão das escolas de tempo integral no ensino médio de Pernambuco. 

Governador em segundo mandato consecutivo, Eduardo Campos manteve um programa iniciado por seu antecessor e, na época, inimigo político, Jarbas Vasconcelos, g Hoje, metade da rede pública já está em tempo integral ou semi-integral. O plano é chegar a 80% dos alunos até o ano que vem, o que deixaria de fora só os estudantes do noturno.

O melhor é que o modelo de escolas integrais de Pernambuco está se espalhando pelo Brasil. Quem leva o modelo pelo país afora é Marcos Magalhães, que foi presidente da multinacional Philips no Brasil por 11 anos. Em 1999, ao descobrir que a escola em que estudou em Recife havia sido fechada, o executivo reuniu amigos, como o empreiteiro Norberto Odebrecht, e recuperou o prédio histórico com investimento de 2,5 milhões de reais. Mas Magalhães concluiu que não bastava entregar um prédio novo. Em 2002, contratou dois pedagogos para criar um projeto de ensino médio inovador que fosse interessante para os alunos, diminuísse a evasão e, sobretudo, fosse replicável. "O ensino médio é um problema no mundo inteiro, e esse parecia um segmento esquecido", diz Magalhães. "A nossa ideia foi fazer um curso que prepara o aluno para o mundo do trabalho." Em 2006, quando acabou o governo de Jarbas Vasconcelos, já havia outras 12 escolas seguindo o modelo de ensino integral. Hoje, são 260 com professores acompanhando alunos o dia inteiro na escola, disciplinas eletivas e aulas práticas de ciências em laboratórios bem equipados. A nota média dessas escolas é de 4,5 pontos na prova anual mais recente de Pernambuco, feita nos moldes do Ideb. Ainda é muito pouco. Mas essa média é mais alta do que a de Santa Catarina, estado com a melhor rede pública de ensino médio do Brasil. O modelo está sendo exportado para Ceará, Goiás e São Paulo. A proposta tem outro aspecto que começa a ganhar corpo no Brasil: incluir de forma transversal na grade curricular conceitos que serão úteis aos alunos pelo resto da vida, como foco em objetivos, otimização do uso do tempo e empreendedorismo. Recentemente, a Abril Educação, empresa do mesmo grupo que publica EXAME, trouxe dos Estados Unidos o programa O Líder em Mim, que procura incutir esse tipo de questionamento nos alunos desde a infância. O programa está sendo testado em escolas públicas cariocas e particulares em São Paulo.

O resultado da política educacional de Pernambuco é uma oferta de jovens mais preparados. "A qualidade do capital humano é um dos maiores entraves à competitividade das empresas brasileiras. E aqui falo de educação básica mesmo", diz a consultora de gestão Betania Tanure. A Contax, empresa de centrais de atendimento, estava de olho na melhora da competitividade quando instalou em Recife sua maior unidade da América Latina. "Levamos em conta a melhora do nível educacional dos jovens da região para investir", diz Otávio Azevedo, presidente do grupo Andrade Gutierrez, dono de 35% da Contax. A central recifense, com 14 000 empregados, foi inaugurada em 2011.

O potencial de ganho com a educação para a economia é enorme num país que mal começou a melhorar o nível de suas escolas. "Duas coisas basicamente explicam o crescimento sustentado no longo prazo na maioria dos países: o nível de renda e o desempenho em matemática e ciências", diz Erik Hanushek, economista da Universidade Stanford. "Nesse segundo aspecto, o Brasil tem ficado muito atrás de países como México e Polônia." Historicamente, o Brasil não priorizou a educação. Até o fim dos anos 70, investia menos de 2% do PIB no ensino. "A crença entre nós era que a educação era consequência do desenvolvimento econômico, e não a mola propulsora", diz Samuel Pessoa. Há sinais de que a visão mudou, como a promessa que a presidente Dilma fez, em agosto, quando a lei que destina 75% dos royalties do pré-sal para a educação foi aprovada no Congresso: "Queremos dar educação de Primeiro Mundo para os jovens". As propostas apresentadas na reportagem a seguir são atalhos para alcançar esse objetivo. E nos livrar da vergonhosa colocação entre os piores países no ranking do Pisa.

A velha e boa competição

Um programa do governo Obama levou estados americanos a fazer reformas educacionais que já estão dando resultado

O federalismo americano é famoso pela autonomia que dá aos estados. Mas isso torna mais desafiadora a tarefa de desenvolver políticas públicas nacionais. Na área de educação, o presidente Barack Obama conseguiu superar essa barreira. Em 2009, lançou o Race to the Top (Corrida para o topo), programa que incentiva reformas educacionais nos estados em troca de repasses que totalizarão 4,5 bilhões de dólares até
o ano que vem. O programa é uma espécie de competição — os melhores projetos são financiados pelo governo federal. "O objetivo é espalhar pelo país as melhores práticas e incentivar os estados a renovar o ensino", diz Joanne Weiss, educadora que tocou o programa no Departamento de Educação desde seu início até setembro de 2013.

Todos os projetos tiveram de cumprir exigências como adotar padrões curriculares e um conjunto de avaliações para medir o progresso dos estudantes, elaborar um plano de atração de bons professores — incluindo formação continuada e recompensas por resultados — e resgatar as piores escolas. São pontos que estão em linha com os desafios do sistema educacional brasileiro apresentados na segunda parte desta reportagem.

Dos 12 estados vencedores, os que mais avançaram até agora foram Kentucky, Delaware e Tennessee. Este último elevou de 35% para 47% a parcela de alunos com proficiência em matemática, em apenas dois anos. Uma estratégia do Tennessee foi criar um grupo que visita as escolas e assiste às aulas para sugerir planos de desenvolvimento profissional específicos para cada professor — há algo semelhante em Minas Gerais, estado com o melhor desempenho no primeiro ciclo do fundamental. "Um programa desse tipo seria uma aplicação bem adequada dos royalties do petróleo", diz Naercio Menezes Aquino, coordenador do Centro de Políticas Públicas da escola de negócios Insper.

 A luta pela qualidade

Os quatro pontos centrais que o Brasil precisa atacar para dar um salto na qualidade

Desde meados da década de 90 , o senador Cristovam Buarque tem pautado sua atuação política pelos temas que cercam a educação. Virou sua marca. Mas suas propostas são polêmicas entre especialistas da área e sua gestão como ministro da Educação só durou um ano porque o ex-presidente Lula o considerava grande formulador, mas executor sofrível. Isso não enfraquece uma avaliação que ele não cansa de fazer: "O Brasil não tem ambição em educação". Para ele, o país se contenta em apenas melhorar, quando o necessário seria dar um salto — para alcançar o nível de nações como Coreia, Canadá e Austrália. A egípcia Mona Mourshed, especialista em educação da consultoria McKinsey, montou uma escala que divide os países em graus de ascensão na educação: do nível fraco para o médio, do médio para o bom, do bom para o ótimo e do ótimo para o excelente. O Brasil está no primeiro degrau da trajetória. Como chegar ao topo? EXAME entrevistou 50 especialistas para entender os pontos mais determinantes para desenvolver um ensino de padrão internacional. Há soluções que já funcionam em cidades como Sobral, no Ceará, e Rio de Janeiro ou em estados como Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais. "O desafio agora é dar escala nacional a essas boas práticas", diz Andreas Schleicher, vice-presidente de educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. A seguir, quatro pontos que o país precisa desenvolver.

Há poucos consensos nas discussões sobre educação. Mas economistas, pedagogos, gestores públicos e sindicalistas concordam que o elemento mais determinante para a melhoria da qualidade desse serviço é o professor. "Assim como o médico é quem faz o sistema de saúde, o professor é central para o ensino", diz Paula Louzano, professora de educação na Universidade de São Paulo, com mestrado na Universidade Stanford e doutorado em Harvard. "A diferença é que a docência virou um subempreChile. Em 2010, o governo chileno também passou a dar bolsas de estudo aos estudantes que tiram notas altas no vestibular e decidem ingressar em cursos relacionados a educação — lá, todas as faculdades são pagas. Um em cada quatro alunos que entraram no curso de licenciatura em 2012 foi beneficiado. Canadá, Austrália e Polônia, três referências em educação pública, também têm níveis de proficiência nacionais para a carreira de professor, com instruções claras sobre o que se espera dele em cada uma das faixas de salário. Na Polônia, a reforma da carreira foi o principal fator que fez o país subir nos exames internacionais de qualidade da educação. Na Austrália, houve mudanças recentes, que dividiram a carreira do professor em vários níveis. Em Ontário, no Canadá, a qualidade dos professores é medida por um órgão governamental chamado College of Teachers, que oferece aos docentes cerca de 400 cursos diferentes de qualificação.

O estado de São Paulo tem, desde 2010, oito faixas salariais para os professores — eles avançam ao ser aprovados em exames ou em cursos de qualificação. E possível incrementar 10% o salário a cada três anos, além dos aumentos que todo mundo recebe. Assim, foi introduzida a meritocracia na progressão da carreira. Meritocracia, como se sabe, é tabu nos sindicatos. Mas o governo paulista foi hábil na negociação: convidou os seis sindicatos da área para discutir os termos da nova progressão salarial. "A ação proativa reduziu a resistência", diz Herman Voorwald, secretário de Educação do estado de São Paulo. No Rio de Janeiro, não é possível dizer o mesmo. A cidade está em polvorosa com protestos de professores municipais e estaduais desde agosto (até o fechamento desta edição, em 21 de outubro, o impasse continuava). Uma das reivindicações é que os professores não sejam divididos em carreiras com salários diferentes. Cerca de 7% da rede municipal já ganha mais de 4 000 reais para trabalhar 40 horas semanais. A ideia da prefeitura é progressivamente levar todos para esse regime. O sindicato não aceita: o plano de carreira tem de ser igual para todos. Os sindicalistas também se opõem a bônus salariais com base no resultado dos alunos em provas. Minas Gerais tem o melhor desempenho do Brasil na educação fundamental e foi um dos primeiros a implantar a política de bonificação. Pernambuco também dá 14º salário aos professores de escolas que batem suas metas. Onde o tabu é quebrado, os resultados aparecem.

Criar um padrão nacional de ensino

Adoção de um currículo que determine o que o aluno de qualquer parte do país precisa aprender em cada período letivo pode ser um atalho para elevar a qualidade do ensino em pouco tempo. "Cada país acha-se num estágio de qualidade da educação e deve ter prioridades compatíveis com ele", diz Mona Mourshed, da consultoria McKinsey. "No caso do Brasil, que parte de um nível baixo, um guia padronizado sobre o que cada professor deve ensinar em cada disciplina pode gerar avanço mais rápido." E o que fizeram nos últimos anos a cidade de Sobral, no Ceará, para acelerar a alfabetização, e o estado de São Paulo, para melhorar o ensino médio: criaram currículos detalhados indicando o que os professores devem ensinar em cada bimestre. A iniciativa tornou Sobral uma ilha de excelência em alfabetização e fez de São Paulo o estado que mais avançou no ensino médio de 2005 para cá. "A criação de um currículo único foi a principal medida tomada para melhorar o aprendizado dos jovens", diz Herman Voorwald, secretário paulista de Educação. E como se aplica na prática um currículo padronizado? Em Sobral, os professores saem de sala um dia por mês para ser capacitados sobre os itens do mês seguinte. Isso garante a uniformização do conteúdo — o que raramente ocorre no restante do Brasil. "Há uma bagunça curricular no país. Cada escola ensina os conteúdos a seu bel-prazer", diz Mozart Neves Ramos, ex-secretário de Educação de Pernambuco e integrante do Conselho Nacional de Educação. "Se um aluno estuda a cada ano do fundamental em uma escola, corre o risco de ver a mesma coisa várias vezes."

A implementação de um padrão de currículo é uma etapa importante até em países avançados. A província de Ontário, no Canadá, iniciou há 13 anos a unificação curricular, o que a manteve no topo dos rankings internacionais de qualidade da educação. "As escolas e os professores têm liberdade para ensinar, mas têm de mirar o currículo oficial porque os conhecimentos são exigidos dos alunos nas provas anuais criadas pelo governo", diz Michael Fullan, especialista em educação da Universidade de Toronto que assessorou por dez anos o ex-primeiro-ministro de Ontário Dalton McGuinty. O resultado foi tão bom que os parâmetros também estão sendo adotados na pré-escola. O caso de Ontário inspirou a Austrália, que agora está implantando um currículo para todo o país. 

Em 2010, ao se ver ultrapassado no Pisa por Hong Kong, Xangai, Coreia e Singapura, o governo australiano ficou preocupado e resolveu implementar mudanças radicais, como a unificação do currículo. A justificativa: diminuir as diferenças entre os estados. "O primeiro exame nacional mostrou uma disparidade grande demais no país", diz Stephen Dinham, chefe do departamento de educação de professores da Universidade de Melbourne. "O curriculo-padrão tenta reduzir essa diferença." No Brasil, a palavra currículo é outro tabu. Parte da academia pensa que um padrão nacional tolheria a criatividade e desconsideraria as peculiaridades regionais. O Ministério da Educação resiste a falar em currículo nacional. Em 2012, o ex-secretário de Educação Básica César Callegari propôs que o Conselho Nacional de Educação discutisse uma espécie de padronização do ciclo da alfabetização. O próprio Callegari, hoje secretário de Educação da cidade de São Paulo, recusa-se a usar a palavra currículo, tamanha a resistência. Seja qual for o termo, já seria um avanço. Mas Romeu Caputo, que o substituiu no cargo no início deste ano, resolveu fazer uma reavaliação. "A proposta está sendo rediscutida para incluir todos os anos da educação básica", diz Caputo.

Por ora, o que o governo tem são diretrizes que apontam grandes áreas de conhecimento para as quais os professores devem atentar. E nada poderia ser mais vago. Até quem já esteve no ministério reconhece. 

"Lamento não ter tentado criar um currículo unificado quando estava lá", diz Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica de 2007 a janeiro de 2012. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama decidiu implementar uma proposta de padronização dos tópicos abordados a cada ano escolar. Apenas dois estados decidiram não aderir. "Qualquer resistência à implantação de um currículo nacional é dissipada quando se mostram as evidências", diz Maciej Jakubowski, secretário executivo do Ministério da Educação da Polônia, que aprovou seu currículo nacional em 2008, após uma série de outras reformas. E essa a expectativa do presidente Obama. E devia ser a do Brasil também.

Todos devem avançar juntos

Os alunos das escolas municipais de Sobral, no Ceará, fazem testes todo mês. Mas esses testes não geram reprovação. Ao contrário, evitam que alguns dos estudantes fiquem para trás. As respostas das provas vão parar em planilhas que os professores usam para identificar as questões que quase ninguém acerta e as matérias em que cada aluno não está indo bem. Depois ou antes do horário de aula, os alunos recebem reforço nos ternas em que vão mal. Mas não é só assim que eles são "resgatados". Uma escola na zona rural da cidade tem três motoqueiros para ir diariamente atrás dos faltosos e conscientizar os pais de que seus filhos precisam frequentar a escola. "O esforço tem de ser para que todos avancem juntos. A consequência de ir mal na escola é altíssima para o cidadão", diz Andreas Schleicher, da OCDE. "Depois, fica difícil tirar a diferença." A cidade de Xangai, na China, entendeu o recado e trabalhou para que as piores escolas se aproximassem das melhores. Para ser promovidos lá, os professores dão aula nas escolas mais distantes por alguns anos. Isso garante a essas escolas bons quadros. Xangai tem as melhores notas do exame mundial Pisa, da OCDE.

Um ponto básico para reduzir as desigualdades é o investimento em educação infantil. Muitos economistas sugerem que seja tão alto quanto o gasto com universitários. "Ir a uma boa pré-escola reduz a probabilidade de repetência e abandono em todo o ciclo educacional e impacta até na renda futura", diz Ricardo Paes de Barros, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. A prefeitura do Rio de Janeiro está melhorando as creches e promovendo encontros com pais de comunidades carentes para mostrar o tipo de estímulo que as crianças precisam ter em casa. "É muito importante eliminar a desigualdade o mais cedo possível", afirma Paes de Barros.

Passar o dia na escola- aprendendo

Essa é da série "todo mundo que tem educação de qualidade aplica e o Brasil não". Em 1997, o Chile assumiu o objetivo de dar a todos os alunos o direito à educação integral dos 6 aos 17 anos. Hoje, 90% dos estudantes chilenos estão no regime. Reino Unido, Canadá, Austrália e Holanda têm leis parecidas. O Brasil ainda está no estágio em que a maioria das escolas públicas funciona em dois ou até três turnos. 

Mudar a situação requer professores para ficar o dia todo com os alunos e infraestrutura adequada. Isso significa não só ter mais salas de aula mas também laboratórios, bibliotecas e computadores. Um estado que avançou nesse sentido é Pernambuco. Suas escolas integrais ou semi-integrais já representam metade da rede pública do ensino médio. A meta para 2014 é alcançar 80%. Nos intervalos das disciplinas regulares, os alunos têm aulas práticas de ciências e robótica e contam com opções como empreendedorismo. Há também tempo dedicado ao nivelamento dos que chegam ao ensino médio com defasagem. Os alunos dessas escolas obtêm notas 40% superiores às do restante da rede. Uma das metas do Plano Nacional de Educação é que até 2020 pelo menos metade das escolas de educação básica no país seja de tempo integral. Hoje, um quarto delas é — quase 50 000 unidades estaduais e municipais. O problema é o conceito de educação integral do plano: em geral, o aluno fica mais tempo na escola apenas para atividades culturais. Não há garantia de ter professor nem infraestrutura. Aula de reforço, só se houver voluntários. "O tempo extra precisa ser usado em prioridades, como matemática e línguas, e estimular o pensamento crítico", diz Barbara Bruns, pesquisadora do Banco Mundial. Ou seja, não basta passar mais tempo na escola — é preciso aprender enquanto estiver lá.

Revista Exame 28/10/2013

http://www.asmetro.org.br/portal/portal/area-restrita/21-clipping/2273-revista-exame-a-diferenca-comeca-na-escola-a-luta-pela-qualidade

Brasileiros têm baixa proficiência em inglês

 
Mesmo subindo oito colocações no ranking mundial, os resultados no Brasil no Índice de Proficiência em Inglês 2013 (EPI, na sigla em inglês) ainda colocam os estudantes brasileiros no patamar de "proficiência baixa".
 
O país está na 38ª posição, abaixo de  Argentina (19ª), Indonésia (25ª), Rússia (31ª) e Costa Rica (37ª). A lista foi divulgada na semana passada pela empresa que realiza a avaliação, a EF Education First.

Na última edição, porém, o Brasil se encontrava na categoria "proficiência muito baixa", em 46º lugar. Apesar do avanço, especialistas ainda acreditam que a situação do ensino de inglês nas escolas é preocupante.

De acordo com a professora Letras com Inglês das Universidades Federal da Bahia (Ufba) e Estadual da Bahia (Uneb), Adé de Oliveira, a baixa carga horária é um dos motivos para que os alunos estudem a língua na escola, mas não adquiram proficiência. "Com isso, não se consegue levar o aluno a mais do que o nível pré-intermediário. O numero de alunos por turmas também é muito grande e próprio preparo do professor é ruim", explica.

Segundo ela, os cursos de Letras não garantem  fluência ao professor. No caso dos que atuam na rede pública, a qualificação é ainda pior. "Para que o professor possa melhorar a metodologia, precisa ter um incentivo do estado ou do município", disse Adé.

Já a professora de estágio supervisionado em Inglês da Ufba, Fernanda Mota, atribui  uma parte dos problemas  à maneira como as aulas do idioma são vistas na escola.

"Há um desprestígio por conta da ideia de que é uma matéria secundária. Existe uma concepção muito forte de que os alunos não aprendem na escola e o professor acaba acreditando nisso também", afirmou.

Leia matéria completa na versão impressa do jornal A TARDE desta segunda-feira, 11, ou na versão digital.

http://atarde.uol.com.br/brasil/materias/1547642-brasileiros-tem-baixa-proficiencia-em-ingles

Gestão Educacional e Gestão Escolar

 
A gestão educacional  nacional é baseada na organização dos sistemas de ensino federal, estadual e municipal e das incumbências desses sistemas; das várias formas de articulação entre as instâncias que determinam as normas, executam e deliberam no setor educacional; e da oferta da educação pelo setor público e privado.

Cada sistema tem um papel a desempenhar no contexto educacional do País. No que diz respeito a educação básica, cabe aos Estados, Distrito Federal e Municípios ofertá-la, por sua vez, o ensino médio é um dever dos Estados e do Distrito Federal e a educação infantil dos Municípios.

As instituições de ensino cuja União é responsável são as escolas particulares e órgãos federais, já aos Estados e Distritos Federais compete as instituições de ensino mantidas por eles, as de nível superior mantidas pelos Municípios, as particulares de ensino fundamental e médio, os órgãos estaduais de educação e as instituições municipais de ensino particulares de educação infantil. Aos Municípios compete as instituições de educação infantil e de ensino fundamental e médio mantidas pelos municípios, as instituições particulares de educação infantil e os órgãos municipais de educação.

Como podemos perceber, embora os entes federativos compartilhem responsabilidades, cada um possui atribuições próprias, tendo a União o papel de coordenar e articular os níveis de sistemas, os Estados e o Distrito Federal o de elaborar e executar políticas e planos educacionais e os Municípios de organizar, manter e desenvolver seu sistema de ensino através da sua integração com as políticas e planos educacionais da União e dos Estados.

Diferente da gestão educacional, a gestão escolar, trata das incumbências que os estabelecimentos de ensino possuem, respeitando as normas comuns dos sistemas de ensino. Cada escola deve elaborar e executar sua proposta pedagógica; administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; cuidar do ensino-aprendizado do aluno, proporcionando meios para a sua recuperação; e articular-se com as famílias e a comunidade, proporcionando um processo de integração.

Outro ponto importante na gestão escolar é a autonomia que a escola possui e que estar prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996. Através dessa autonomia as escolas conseguem atender as especificidades regionais e locais, assim como as diversas clientelas e necessidades para o desenvolvimento de uma aprendizagem de qualidade.

Com base nisso, podemos perceber que a gestão educacional é compreendida através das iniciativas desenvolvidas pelos sistemas de ensino. Já a gestão escolar, situa-se no âmbito da escola e trata das tarefas que estão sob sua responsabilidade, ou seja, procura promover o ensino e a aprendizagem para todos.

Referências:

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: http://portal.mec.gov.br.

VIEIRA, Sofia Lerche. Educação e gestão: extraindo significados da base legal. In: Ceará. SEDUC. Nos paradigmas de gestão escolar. Fortaleza: edições SEDUC, 2005.

http://www.infoescola.com/educacao/gestao-educacional-e-gestao-escolar/

domingo, 10 de novembro de 2013

Pesquisa aponta que se o brasileiro cobrasse educação como cobra futebol teríamos um ensino de 1º mundo

Se o brasileiro gostasse tanto de educação quanto de futebol, como seria a escola no Brasil? Essa foi a questão feita para 870 internautas em pesquisa inédita realizada pela plataforma on-line do Ibope – Conecta.
77% dos internautas de todo o Brasil concordaram plenamente com a seguinte a afirmação: “Se o brasileiro cobrasse educação como cobra futebol teríamos um ensino de 1º mundo” e 18% concordaram em parte. 
A pesquisa completa será divulgada no lançamento do “Mundial da Educação”, que acontece no próximo dia 28 de outubro, em São Paulo. O “Mundial da Educação” é uma iniciativa que tem a proposta de ser uma rede voluntária de colaboradores, que podem ser estudantes, professores, entidades não-governamentais, agentes culturais, prefeituras e qualquer cidadão que queiracolaborar informando sobre possibilidades educativas em cada uma das cidades-sede da Copa. As sugestões podem ser relacionados à cultura, esporte, bem-estar, empreendedorismo, emprego e sustentabilidade. 
O movimento já conta com a adesão de parceiros importantes como movimento Todos Pela Educação, Unicef, Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), Consed (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação) e Ministério da Educação. Também fazem parte da mobilização fundações empresariais como o Itaú Social, Instituto Inspirare e o grupo educacional Kroton, com 1,5 milhão de alunos.

Paulo Freire - Educar para Transformar

"Não há saber maior ou saber menor", mas sim, saberes diferentes.


"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." (Paulo Freire).

sábado, 9 de novembro de 2013

Desafio de manter jovem de 15 a 17 anos na escola vai a debate

Criar currículos diferenciados e atrativos, que motivem estudantes na faixa de 15 a 17 anos a concluir o ensino fundamental e a cursar o ensino médio é uma das propostas em debate (foto: Wanderley Pessoa/MEC – 22/2/07)

Que tipo de currículo pode motivar os 3,1 milhões de jovens de 15 a 17 anos, com idade para cursar o ensino médio, mas ainda no ensino fundamental, a continuar estudando? Os caminhos para enfrentar esse problema ou as respostas serão discutidos em seminário promovido pela Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, de segunda-feira, 11, a quarta-feira, 13, na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília.

O desafio do MEC, das secretarias de Educação dos estados, Distrito Federal e municípios e de universidades públicas, segundo o coordenador-geral do ensino fundamental da SEB, Ítalo Dutra, é criar currículos diferenciados e atrativos que motivem esses estudantes a concluir o ensino fundamental e a fazer o ensino médio. “Eles não são crianças. São jovens com experiência, que precisam de atendimento escolar motivador para seguir estudando”, afirma.

O trabalho conduzido pela Diretoria de Currículos e Educação Integral da SEB visa a incluir os estudantes de 15 a 17 anos, retidos no ensino fundamental por sucessivas repetências, em escolas com jornada ampliada ou educação integral. Este ano, 2.347 escolas públicas aderiram à ação denominada Mais Educação, destinada a jovens nessa faixa etária. O objetivo principal da iniciativa é orientar a criação de espaços escolares para o protagonismo juvenil.

Até 2012, de acordo com Dutra, a repetência escolar era mais acentuada nos anos iniciais do ensino fundamental, situação que deve ser modificada com o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que começou a ser executado em 2013. Para ele, ao alfabetizar todas as crianças até os oitos anos de idade — o objetivo do pacto —, será estancada a distorção idade–série e reduzida de forma significativa a retenção de estudantes nos anos finais, como acontece hoje e é comprovado por dados do Censo Escolar.

O seminário Política de Adequação Idade–Ano Escolar para Jovens de 15 a 17 Anos Retidos no Ensino Fundamental vai reunir em Brasília os coordenadores do programa Mais Educação de todas as unidades da Federação e suas capitais. Participam também 30 estudantes e seus professores e representantes de universidades públicas e das secretarias Nacional da Juventude e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ambas da Presidência da República.

Censo — Dados do Censo Escolar de 2012 mostram que, dos 3.102.442 jovens de 15 a 17 anos que cursavam o ensino fundamental naquele ano, 2.593.519 residiam em cidades, contra 508.872 em áreas rurais. No mapa das cinco regiões do país, alguns estados mostram grande concentração de estudantes retidos no ensino fundamental.

Na região Sudeste, São Paulo é o que soma o maior número de jovens em tal situação — 384,6 mil, dos quais 377,6 mil em áreas urbanas, conforme a tabela. No Nordeste, a Bahia tem 325,2 mil alunos com 15 a 17 anos ainda no ensino fundamental (237,2 mil em áreas urbanas). Na região Norte, o Pará aparece com 201,7 mil nessa situação (128,8 mil em áreas urbanas). No Sul, o Rio Grande do Sul é o estado com mais alunos nessa condição. São 155,9 mil (138,3 mil nas áreas urbanas). No Centro-Oeste, Goiás tem 89,9 mil desses estudantes (85,5 mil em áreas urbanas).

Ionice Lorenzoni

Palavras-chave: educação integral, ensino fundamental, adequação idade–ano