Criar currículos diferenciados e
atrativos, que motivem estudantes na faixa de 15 a 17 anos a concluir o ensino
fundamental e a cursar o ensino médio é uma das propostas em debate (foto:
Wanderley Pessoa/MEC – 22/2/07)
Que tipo de currículo pode motivar os 3,1
milhões de jovens de 15 a 17 anos, com idade para cursar o ensino médio, mas
ainda no ensino fundamental, a continuar estudando? Os caminhos para enfrentar
esse problema ou as respostas serão discutidos em seminário promovido pela
Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, de
segunda-feira, 11, a quarta-feira, 13, na sede do Conselho Nacional de Educação
(CNE), em Brasília.
O desafio do MEC, das secretarias de
Educação dos estados, Distrito Federal e municípios e de universidades
públicas, segundo o coordenador-geral do ensino fundamental da SEB, Ítalo
Dutra, é criar currículos diferenciados e atrativos que motivem esses
estudantes a concluir o ensino fundamental e a fazer o ensino médio. “Eles não
são crianças. São jovens com experiência, que precisam de atendimento escolar
motivador para seguir estudando”, afirma.
O trabalho conduzido pela Diretoria de
Currículos e Educação Integral da SEB visa a incluir os estudantes de 15 a 17
anos, retidos no ensino fundamental por sucessivas repetências, em escolas com
jornada ampliada ou educação integral. Este ano, 2.347 escolas públicas
aderiram à ação denominada Mais Educação, destinada a jovens nessa faixa
etária. O objetivo principal da iniciativa é orientar a criação de espaços
escolares para o protagonismo juvenil.
Até 2012, de acordo com Dutra, a
repetência escolar era mais acentuada nos anos iniciais do ensino fundamental,
situação que deve ser modificada com o Pacto Nacional pela Alfabetização na
Idade Certa, que começou a ser executado em 2013. Para ele, ao alfabetizar
todas as crianças até os oitos anos de idade — o objetivo do pacto —, será
estancada a distorção idade–série e reduzida de forma significativa a retenção
de estudantes nos anos finais, como acontece hoje e é comprovado por dados do
Censo Escolar.
O seminário Política de Adequação
Idade–Ano Escolar para Jovens de 15 a 17 Anos Retidos no Ensino Fundamental vai
reunir em Brasília os coordenadores do programa Mais Educação de todas as
unidades da Federação e suas capitais. Participam também 30 estudantes e seus
professores e representantes de universidades públicas e das secretarias
Nacional da Juventude e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ambas da
Presidência da República.
Censo —
Dados do Censo Escolar de 2012 mostram que, dos 3.102.442 jovens de 15 a 17
anos que cursavam o ensino fundamental naquele ano, 2.593.519 residiam em
cidades, contra 508.872 em áreas rurais. No mapa das cinco regiões do país,
alguns estados mostram grande concentração de estudantes retidos no ensino
fundamental.
Na região Sudeste, São Paulo é o que soma
o maior número de jovens em tal situação — 384,6 mil, dos quais 377,6 mil em
áreas urbanas, conforme a
tabela. No Nordeste, a Bahia tem 325,2 mil alunos com 15 a 17 anos
ainda no ensino fundamental (237,2 mil em áreas urbanas). Na região Norte, o
Pará aparece com 201,7 mil nessa situação (128,8 mil em áreas urbanas). No Sul,
o Rio Grande do Sul é o estado com mais alunos nessa condição. São 155,9 mil
(138,3 mil nas áreas urbanas). No Centro-Oeste, Goiás tem 89,9 mil desses
estudantes (85,5 mil em áreas urbanas).
Ionice Lorenzoni
Palavras-chave: educação integral, ensino fundamental, adequação idade–ano

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